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3 – A Essência do Movimento Escoteiro

Posted by on 13 de março de 2013

No artigo anterior tivemos a oportunidade de concluir, a partir da análise do significado originário dos termos SCOUT e SCOUTING, que traduzidos para o português viraram ESCOTEIRO e ESCOTISMO, que Baden Powell ao iniciar os jovens na arte do escotismo tinha por objetivo formar futuros homens de caráter (confiáveis), sãos e competentes em artes mateiras (manualidades e habilidades).

 A razão para buscar tal objetivo decorria do fato de que a Inglaterra precisava de homens capazes de manter as colonias e o Império Britânico.

 Assim, quando lermos as obras do fundador temos que ter presente que todo o material que produziu objetivada, originariamente, transformar os jovens em homens de caráter, sãos e exploradores competentes em artes mateiras. Posteriormente agregou a estes objetivos o de incutir nestes jovens o espírito de ajudar o próximo.

 A importância em destacar o objetivo do fundador esta no fato de que com o passar do tempo os “doutos” passam a “modernizar o movimento” e, com isso, a essência da concepção acabou deturpada.

 Certa vez assisti a um filme (De volta às aulas), em que um magnata resolve voltar a estudar para acompanhar seu filho na universidade. Enredo à parte, uma de suas passagens me chamou a atenção e bem exemplifica o que quero dizer ao mencionar “doutos” que deturpam a concepção original.

 A passagem trata de uma tarefa escolar dada por um dos professores. A tarefa era interpretar a obra de um cientista renomado. O magnata, como não estava muito a fim de estudar, sempre contratava alguém para fazer seus trabalhos. Neste caso em particular, o magnata contratou o próprio cientista para interpretar sua própria obra. Tarefa executada o magnata entregou-a. Dias após, o professor, sem saber que o próprio cientista tinha feito a tarefa, interpretando sua própria obra, deu conceito de “insatisfatória e incorreta” ao trabalho. Moral da história ?

 O “douto” professor universitário criou sua própria interpretação sobre a obra do cientista e adotou-a como a verdadeira, a tal ponto que rechaçou a interpretação do próprio cientista. Ou seja, o “douto” não só não conseguiu interpretar a obra do cientista como passou a impor a sua interpretação equivocada sobre a mesma.

 Esta situação, embora originária de um filme, bem ilustra situações corriqueiras em que “doutores do saber” (normalmente detentores de cargos de poder) impõe sua interpretação pessoal à obra alheia.

 Diante destes fatos, este artigo se propõe a resgatar manifestações do próprio Fundador Baden Powell para nos auxiliar a ter presente o que pensava a respeito.

 Por mais que se pondere que o que o fundador escreveu ocorreu em uma época distante (mais de 100 anos), a essência de sua intenção deve ser preservada sob pena de estarmos falando de um outro Movimento.

 Para resgatar as ideias por trás da concepção do Escotismo reporto-me ao livro “Escotismo e Movimentos Juvenis”, um dos raros escritos de BP para o público em geral.

 No referido livro encontramos as seguintes assertivas.

 “O principal objetivo da educação sempre foi formar cidadãos de caráter, sãos e com conhecimentos.”

 “Entretanto a educação que se encontra é a formação escolar objetivando a preparação para os exames. Muito pouco se encontra a respeito da educação para a vida, quando justamente o que se necessita é a preparação para a vida.”

 “Os professores reconhecem a necessidade de formar o caráter das crianças e jovens, porém afirmam que é impossível fazê-lo na escola, seja porque existem muitos alunos em cada sala de aula, seja porque as horas que ficam na escola são insuficientes para tanto.”

 “Um grande obstáculo para a formação do caráter dos jovens é a influência do cinema, do rádio e da imprensa barata.”

 “BP afirma que a utilidade do Escotismo, e de outras tantas instituições juvenis que existiam na época, estava justamente no objetivo em preparar os jovens para a vida e fazer frente à influencia massificante dos meios de comunicação.”

 “Esta ajuda poderia ser dada através do oferecimento de atividades sãs, companheirismo, conhecimento do mundo que os rodeia e opções de capacitação complementar a que recebem na escola.”

 “Com a formação escoteira ele objetivava:

a) o desenvolvimento do caráter, e o sentido de honra;

b) a saúde física e o cuidado com o corpo;

c) o desenvolvimento de habilidades manuais e do cérebro;

d) desenvolver o espírito de serviço aos demais e a comunidade.”

 “As atividades e as prática escoteiras estavam dirigidas, no possível, ao desenvolvimento da eficiência individual para o bem da sociedade na prática da cidadania.”

 “BP coloca a honra como o maior ideal para os jovens.”

 “A conduta de um jovem, futuro cidadão, deve estar baseada nos valores da Lei Escoteira, inspirada no código dos cavalheiros.”

 “Os conceitos inerentes à Lei Escoteira são: Honra, integridade, lealdade, presteza, amizade, cortesia, respeito e proteção da natureza, responsabilidade, disciplina, coragem, ânimo, bom-senso, respeito pela propriedade e auto-confiança.”

 “Quando Baden-Powell idealizou a Lei Escoteira, decidiu não estabelecer leis proibitivas, mas conceitos para formação de pessoas benévolas, para que, desta forma, o jovem escoteiro tivesse onde se espelhar e pudesse se orientar.”

 ‘Em 1893/1894, servindo no 13o. Regimento de Hussardos, BP percebeu que o treinamento para os soldados não era prático, o que o levou a dar treinamento individuais aos mesmos.”

 “Em 1897/1898, já no Comando do 5o. Guarda de Dragões, desenvolveu treinamento similar, dando ênfase no desenvolvimento do caráter (valor), autorrealização e confiabilidade, e eficiência em campo. Treinamento publicado na obra “Aids to scouting”.

 “Em 1899/1900, o Major General Lord Edward Cecil, organizou com êxito os jovens de Mafeking como um corpo de utilidade geral. Ali surgiu o sistema de patrulhas, sendo os jovens organizados em pequenos grupos de 5 ou seus membros sob comando de um deles. A experiência demonstrou que se o treinamento é atraente os jovens aprendem realmente, e, o simples confiar neles foi capaz de fazer com que assumissem responsabilidades em nível maior que o esperado.”

 “Em 1901/1903 BP assumiu a organização dos “alguaciles da África do Sul”, usando os mesmos princípios em maior escala. Aqui surgiu o uniforme e as futuras insígnias escoteiras.”

 “Em 1904 ao voltar para a Inglaterra constatou que sua obra “Aids to scouting” havia sido adaptado para escolas como um livro de texto para ensinar os jovens os princípios da observação, dedução, e outros objetivos. Percebeu, então, que se havia algo no Escotismo que agradava aos jovens, se fosse adaptado para fins não militares poderia constituir-se em um esquema de capacitar cidadãos.”

 “Assim, em 1907, na Ilha de Brownsea, realiza o acampamento experimental para capacitar jovens como escoteiros. Os resultados excederam todas as expectativas. O adestramento estava baseado no que BO usou com os soldados e com os “alguaciles” com adaptações consideráveis para tornar agradável aos jovens.”

 “BP considerava que não havia nada de especial em torno do Escotismo. Era uma evolução natural de muitas ideias reduzidas a um sistema, o ponto principal dele o reconhecimento das necessidades básicas da nação e ter um sistema elástico mediante o qual se podia motivar o jovem, a desenvolver em si mesmo as qualidades que pretendem.”

 “BP afirma que criou o Escotismo para ser utilizado pelos “Boys Brigades” e pelas “Brigadas de Damas da Igreja”, entretanto, breve percebeu que deveria criar um movimento próprio tendo em vista a grande quantidade de jovens que estavam praticando Escotismo desconectados das outras instituições.”

 “BP esclarece que para tornar agradável aos jovens, preparou atividades que os levava ao encontro do espírito da aventura, às proezas dos pioneiros, dos cavalheiros, dos aventureiros, dos exploradores e dos heróis que deveriam seguir, Em vista disso os jovens foram organizados sob a denominação de scouts (escoteiros).”

 “BP relatas aspectos do escotismo que não são, normalmente, destacados. Na Inglaterra o escotismo passou a ser o destino de jovens delinquentes, enviados pelas Cortes Juvenis. No Ceilão e na Índia o escotismo passou a ser usado para benefício dos prisioneiros jovens nas prisões;”

 “Em 1910 o escotismo havia crescido naturalmente a tal ponto que BP decidiu afastar-se do exército para se dedicar a sua organização e desenvolvimento.”

 “Durante a primeira guerra os escoteiros foram mobilizados para proteger as pontos das ferrovias, os aquedutos e as linhas e cabos de telefonia. Ao mesmo tempo os escoteiros do mar se tornaram marinheiros encarregados de guardar as costas, Cerca de 36.000 escoteiros estiveram dedicados a estas atividades durante a guerra.”

 A participação ativa dos escoteiros durante a guerra demonstrou, na prática, para o que eles foram concebidos, e preparados, serem competentes para proteger a pátria.

 Estas são referências feitas pelo Fundador para não perdermos o rumo.

 Mario H. P. Farinon

 

 

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